Em 1961
Em 1961, ano da criação da XXI Região Administrativa pela Prefeitura Municipal da Cidade do Rio de Janeiro foi criado, simultaneamente seu Brasão D'Armas, reproduzido ao lado.

Esse Brasão é composto por escudo português em campo azul, destacando em primeiro plano um Flamboyant florido, com tronco e galhos de ouro; lua cheia, representando o hino regional, o "luar de Paquetá", com versos de Hermes Fontes e música de Freire Júnior, e mar de praia; na linha horizontal, navegando, uma barca da Cantareira, certamente a predileta do povo da Ilha, a "Quinta" do Mestre Quincas, em ouro.

Um chefe sinople verde, tendo ao centro a fachada da capela de São Roque, ladeada por duas estrelas, representativas de Ignácio de Bulhões e Fernão Baldez, primitivos sesmeiros, tudo em ouro.

Como suporte, dois golfinhos de prata, símbolos de cidade marítima, sobre um fistal de prata, com os seguintes dizeres de góles, em vermelho.

1565 - Paquetá - 1961

Referindo-se as datas à entrega da Ilha aos sesmeiros e à criação da Região Administrativa.

Tudo encimado pela coroa característica do Estado da Guanabara de então, ou seja, coroa mural de cinco torres de ouro, que é da cidade capital, tendo ao centro a estrela de prata simbólica da Unidade Federativa.

Essa presença do Flamboyant no Brasão D`Armas traduz a presença maciça e marcante dessas árvores na Ilha de Paquetá, adotada há muitas gerações como árvore símbolo e única utilizada no replantio e reflorestamento das praias, morros e jardins locais.

Essa soberba e decorativa árvore reproduz-se por sementes lançadas ao chão quando suas favas amadurecem, tornando-se negras e abrindo-se por completo sob ação do intenso calor tropical.

Essa sementes conservam seu poder germinativo por vários anos, mas levam até oito meses a um ano para germinar, o que leva ao fracasso viveiristas que, ao pretenderem reproduzi-las rapidamente, desanimam após alguns meses sem novidades.

Tratando-se de árvore tão linda, não poderia deixar de entusiasmar poetas e artistas, ligados ou não a Ilha de Paquetá.

O saudoso famoso cantor Francisco Alves, o "Rei da Voz" teve como um de seus sucessos o fox-trot "A canção da Árvore", sentimental música do americano Nat Simon, intitulada Poinciana no original em inglês e traduzida pelo também saudoso letrista carioca Haroldo Barbosa nos seguintes versos:

Poinciana

Árvore Meiga e Fraternal

Vives

No verde encanto tropical

 

Muito mais sugestivo, entretanto, bem mais carioca e brasileiro é o samba, da década de cinqüenta, de autoria de João de Barros e Alberto Ribeiro, intitulado "Fim de semana em Paquetá", cujos versos reproduzimos para mais vivamente configurar essa eterna ligação Paquetá/Flamboyant:

 

 

Em Paquetá se a lua cheia

Faz rendas de luz por sobre o mar

A alma da gente se incendeia

E há ternura sobre a areia

E romances ao luar

E quando rompe a madrugada

Da mais feiticeira da manhãs

Agarradinhos descuidados

Ainda dormem namorados

Sob o céu de flamboyants.

Com prazer podemos alinhavar algumas linhas sobre essa deslumbrante árvore que, em diversas quadras do ano, constituiu-se numa festa de cor, com sua feérica florada escarlate ou alaranjada, enfeitando alamedas e jardins, conhecida por todos como Flamboyant e pelos "experts" em botânica como "Poinciana Régia".  Essa essência bem merece a classificação Régia, dada pelo primeiro botânico que estudou a linda árvore, originária da Ilha de Madagascar e que veio encontrar no Brasil as mais favoráveis condições à sua proliferação.

Além do porte majestoso, da capa frondosa e cheia de folhas verde-escuro, o que mais atrai atenção para a espécie é realmente sua florada escarlate ou alaranjada, intensa na quantidade de flores e no colorido, realmente flamejante, uma visão rara, única no reino vegetal e que desperta admiração geral, seja de perto ou mesmo á grandes distâncias.