Artes

No seu capitulo 12, o livro de Ezequiel nos fala de uma casa “que tem olhos para vê, e não vê, e tem ouvidos para ouvir, e não ouve, porque é casa rebelde”, e isso me faz pensar num dos mais importantes atributos dos artistas: saber ver e  saber escutar a Natureza. E era o que sabiam fazer, com maestria, Pedro Bruno e Augusto Silva, os dois maiores artistas de Paquetá. Não tenho nada contra as formas geométricas regulares: quadrados, retângulos, triângulos, cubos, paralelogramos, etc… Há muitas construções, e até cidades, como Brasília, por exemplo, que ficam muito bonitas com projetos que usam essas formas e que assim, se projetam como “arte moderna”.

Mas reparem na Natureza: olhem as árvores. Não existem dias, se quer, com a mesma forma… E até na mesma árvore, os galhos são diferentes, os tamanhos são diferentes, e os formatos também o são…

Olhem as montanhas… Não existe nenhuma de forma absolutamente regular: circular, ou piramidal… Elas lembram essa formas, mas preservando o seu formato irregular…

E diga-se o mesmo em relação a tudo na Natureza: às nuvens do céu, às ondas do mar, e à sinuosidade da praias, apenas como alguns exemplos.

Pois muito bem: ao tempo de Pedro Bruno e de Augusto Silva as árvores de Paquetá eram plantadas sem nenhum alinhamento, de forma a

ARTES

PAQUETAENSES

Marcelo A.L. Cardoso

 

E eu digo muito mais,

 porque ela continua

linda, apesar de tudo.

 

 

imitar o mais possível a Natureza, e se houvesse alguma árvore na direção do traçado por onde seria aberta alguma rua, abria-se a rua, mas preservava-se a árvore no meio dela ou, então mudava-se o traçado da rua, porque jamais se derrubaria uma árvore para abrir uma rua… E o resultado disso foi que tal fato  passou a ser uma das singularidades que projetaram Paquetá no cenário turístico da nossa cidade, caracterizando Paquetá como um dos únicos lugares da nossa Cidade onde haviam árvores, inclusive frutíferas, no meio das ruas, e cujos frutos qualquer pessoa podia saborear, em livre concorrência com os passarinhos…

Do mesmo modo, os bancos e a maioria dos nossos equipamentos comunitários, ao invés de serem feitos de cimento armado, retilíneos e alisados, e com formas absolutamente regulares, eram feitos de pedra, um elemento fundamental da Natureza, e que fazia com que não houvessem  dois bancos iguais, embora devessem ficar bem parecidos. Mas as suas irregularidades eram harmoniosas, porque imitavam o mais possível, a Natureza…

E diga-se o mesmo do enrocamento do cais de nossa orla marítima e das calçadas que os acompanhavam… Eram todos feitos com pedras irregulares, e o piso das calçadas com saibro batido, sem nenhuma preocupação com formatações absolutamente retilíneas e regulares…

Paquetá era assim, quando cuidada pelos artistas… E era muito mais bonita.